Ai, se sêsse!

Um dia disseram pro poeta nordestino Zé da Luz, cabra macho do começo do século passado, que pra falar de amor tinha que usar o português correto. Aí ele fez uma poesia que diz assim:

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e se tu insistisse,
prá qui eu me arresorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!