Só hoje

“Hoje eu seria capaz de te ligar.
De te chamar para bater papo, mandar email, mensagem.
Se fosse possível, me tele-transportar.
Minha alma está com urgência.
O peito inflamado, inchado, [re-dun-dan-te-men-te] cheio em excesso; tudo que é bom morrendo à míngua, tudo que é mau sendo alimentado.
Hoje eu seria capaz de esmagar o orgulho que não tenho, nunca tive, quando se trata de você.
Do meu próprio amor próprio, nada sobrou; não sobrou amor para mais nada.
O meu amor escolheu o rumo e foi.
Não encontrou morada, mas nunca mais voltou; vive à margem da ilusão.
Hoje eu seria capaz de esquecer de todas as vezes e de quantas maneiras você já demonstrou que não existo no teu mundo.
E forçar mesmo a barra, tentar entrar por uma porta fechada, escalar um muro, pular uma janela.
Mesmo sabendo da tua incapacidade de amar.
Do teu coração blindado por fora e vazio por dentro.
Hoje eu seria capaz de qualquer coisa, em troca de coisa qualquer que viesse de você para mim.”