Eu confesso. Eu minto.
Descarada. Desavergonhadamente.
E venho mentindo há tanto tempo que acredito hoje não saber mais me comportar de outra maneira.
A verdade já não me é uma alternativa possível, uma vez que minto compulsória e patologicamente.
Diante do que peço: não acredite numa palavra sequer que lhe diz essa boca minha descontrolada e fingida, nem confie nesses meus olhares que dissimulam de forma tão persuasiva os sentimentos que não lhe têm. Não, não se convença com meus abraços, são todos falsos e ilegítimos como eu.
Nem se renda ao meu corpo tampouco, pois que seus movimentos manipulam com uma leviandade tamanha que não posso conter.
Sou por inteiro uma farsa, impostora sem escrúpulos ou remorsos.
Não valho sequer os minutos que você agora perde ao tentar me entender.
Nem mereço, muito menos, o mínimo de sua compaixão, piedade, comiseração para comigo.
Porque eu minto.
E minto tanto e tal de modo que eu seria capaz até de te fazer crer sem ressalvas no meu discurso afiado e hediondo de que eu não mais lhe tenho amor.